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O sagrado direito de ser humano

O sagrado direito de ser humano

Palavra do Padre

Uma reflexão sobre os limites, o cansaço e a humanidade na vida sacerdotal

O meu amor pelo ministério é o que me mantém de pé. Porém, até o metal mais forte se desgasta sob pressão constante.

A menos de um ano da bariátrica, a ansiedade e a compulsão alimentar voltaram à minha vida. É um sinal de que meu corpo está tentando comunicar aquilo que, muitas vezes, a alma tenta silenciar em nome do dever.

Amo ser padre e vivo com alegria a oferta da minha vida. É um cansaço que, na sua essência, deveria ser alegre. Mas, hoje, preciso falar sobre o limite.

Muitas vezes, a figura do padre diocesano é idealizada. Somos vistos como homens sem rosto, sem cansaço e sem fome, cuja “função” é estar disponíveis 24 horas por dia. O que poucos percebem é que, por trás da estola, existe um coração humano, que também sofre o impacto de expectativas irreais.

Vivemos o conflito do “nunca é o bastante”.

Se celebramos a Missa, questionam por que não estamos em reunião.
Se priorizamos a gestão, dizem que abandonamos a pastoral.
Se o celular toca e não atendemos — em meio a centenas de mensagens acumuladas — surgem comentários e julgamentos.

Por vezes, somos tratados como peças: úteis enquanto produtivos, mas criticados ao primeiro sinal de fragilidade.

É doloroso perceber que, muitas vezes, a cobrança é rápida, mas o cuidado é lento. Que a crítica se espalha com facilidade, enquanto o apoio raramente chega com a mesma intensidade.

O esgotamento não é apenas mental. Ele também se manifesta no corpo.

No meu caso, a ansiedade — fruto dessa pressão — tem tentado roubar aquilo que conquistei com tanto esforço na minha saúde. O corpo revela aquilo que a rotina não permite enxergar: estou no limite.

Escrevo não apenas por mim, mas por tantos irmãos sacerdotes que sofrem em silêncio.

À comunidade:
Cuidem de quem cuida de vocês. O padre precisa de oração, sim — mas também de respeito, de tempo, de silêncio e de reconhecimento da sua humanidade.

Às autoridades:
Que o olhar sobre o clero seja de pastores, e não apenas de gestores. Que o cuidado e o apoio cheguem antes do colapso.

Por Padre Alex Boardman

Informações da Notícia

Data de Publicação

Quinta-feira, 19 de março de 2026

10:32

Autor

Anderson Queiroz

Tempo de Leitura

5 minutos

Categoria

Palavra do Padre

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